Sou mãe e fui diagnosticada com câncer de mama. Relato do meu tratamento


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Meu nome é Alessandra, tenho 36 anos, casada há onze e mãe da Alice há três.

Considero que tenho uma vida boa, muitos planos e expectativas. Então, em fevereiro desse
ano, de uma hora pra outra, tudo mudou! Por acidente, levei uma pancada da minha filha na
mama esquerda e comecei a sentir dores que iam e vinham no local, principalmente ao deitar.

Como as dores persistiam, procurei uma ginecologista, que me solicitou uma ecografia
mamária. Durante este procedimento, a médica identificou um nódulo suspeito e sugeriu uma
investigação mais profunda. Foi então que realizei uma biópsia de mama e o resultado foi o
que eu mais temia: positivo para malignidade. Estava com câncer de mama... Meu mundo
desabou.

Chorei muito e perguntava: “porque comigo?”. Sempre considerei que tive uma vida
saudável dentro do possível, até por que sou nutricionista e sempre cuidei da minha
alimentação. Um pouco sedentária, mas sem qualquer problema de saúde ou histórico familiar
de câncer de mama. Fiz tudo como manda o figurino e amamentei minha filha por sete meses,
o que sempre pensei ser um fator protetor. Restava aquela pergunta: “Como isso aconteceu
comigo?”.

Com esse diagnóstico inicial, precisei passar por diversos exames, como ressonâncias,
biópsias, mamografias e tomografias, para identificar com maior precisão o tipo e o tamanho
do tumor. No meu caso, um carcinoma ductal invasor, nome que realmente assusta, mas
considerado um dos tipos mais comuns, medindo 3,5cm. A partir daí foi traçado meu
tratamento, iniciando com quimioterapia para redução do tamanho do tumor e posterior
cirurgia para sua remoção.

Entre o diagnóstico e o início do tratamento, se passaram quase dois meses, pois estava
morando em Brasília e decidi retornar a Porto Alegre para ficar próxima dos familiares e ter o
maior apoio possível, principalmente por ter uma filha pequena que precisaria de cuidados nos
momentos em que eu teria que me ausentar para cuidar da minha saúde.

Foi extremamente difícil aceitar que não faria a cirurgia de imediato, pois queria tirar o
tumor logo! Foi então que iniciou uma das grandes batalhas do tratamento: lutar contra o
fator psicológico para aprender a ter paciência e conseguir enfrentar a minha ansiedade.

Realizei 16 sessões de quimioterapia no decorrer de cinco meses. Foram quatro sessões
quinzenais das quimioterapias chamadas de vermelhas, as com maior efeito colateral a meu
ver, e outras 12 sessões semanais das brancas. Felizmente, os tratamentos estão bastante
avançados e tive poucos efeitos colaterais. Inicialmente sentia bastante cansaço e enjoos. Com
o andar do tratamento veio a queda dos cabelos e pelos (de todos, não só os da cabeça!)
anemia, imunidade baixa, sangramento nasal, menopausa precoce, inchaço devido ao uso de
corticoides. Não é nada fácil, mesmo tendo poucos efeitos colaterais como no meu caso! Além
disso, inúmeras recomendações médicas, como evitar lugares com muita gente, comidas sem
cozimento e de preparo duvidoso, não poder tomar sol, não poder beber bebidas alcoólicas,
não fazer as unhas em salões de beleza, e por aí vai. Ainda sobre efeitos colaterais, surgem os
que a gente nem espera, como o pânico de agulhas que desenvolvi. Chorava, suava e tremia
com a simples presença de uma seringa, que é muitíssimo utilizada durante todo o tratamento
para administrar as medicações ou realizar exames e coletas.

Ao fim das sessões de quimioterapia, precisei realizar uma nova bateria de exames para
verificar a resposta do tumor ao tratamento e para decisão de qual seria o procedimento
cirúrgico mais adequado à situação. Para minha felicidade, o tumor reduziu consideravelmente
e não precisei fazer a tão temida mastectomia (retirada de toda a mama). Acabei realizando a
retirada de uma pequena porção da mama esquerda, apenas um quadrante (na linguagem
médica). A cirurgia foi feita há menos de dez dias e ainda estou em recuperação, sem poder
fazer muito esforço, aguardando alguns resultados que me dirão se a cirurgia foi um sucesso
completo ou se precisarei reoperar. O que já é certo é que passarei por mais uma etapa do
tratamento: a radioterapia.

Nessa longa jornada passei por muitos momentos difíceis, como a notícia para a família
que mais parece a vivência de um luto, a angústia da espera de resultados de exames decisivos
para o curso do tratamento, a convivência com todos os efeitos colaterais e restrições e
principalmente o medo de perder a guerra e deixar todos que amo para trás. Após o choque
do diagnóstico, fui tomada por pensamentos ruins e negativos, mas como diz o ditado: o
tempo é o melhor remédio. Com o passar dos dias fui digerindo esse diagnóstico e percebi que
as únicas coisas que estavam ao meu alcance eram seguir o tratamento e viver da melhor
maneira possível.

Muitas coisas me ajudaram muito durante o tratamento, como romper a barreira do
desconhecimento sobre a doença, encontrar e confiar em bons profissionais, o apoio de
familiares e amigos, e, principalmente, o amor que sinto pela minha pequena que me
impulsionou e ainda me dá forças para continuar a luta contra o câncer de mama.

6 Respostas

Querida amiga! Fiquei emocionado com a sua história! Trabalhamos juntos e já te admirava antes, agora mais do que nunca sei que você um exemplo de vida. Sua missão neste plano ainda não terminou! Faço votos que sua vida seja repleta de alegrias e que isso pelo que passou serviu para te deixar mais forte!
Beijos!!!
Alessandra, sempre te admirei como profissional e pessoa, de muita competência e alto astral. Sei o quanto és amada pela família e o impacto que esse diagnóstico teve na vida de vcs, mas tb sei que o amor dá muitas forças! Desejo que este turbilhão vire apenas uma lembrança - amarga, sim - e que faça logo parte do passado! Muita saúde e felicidade, guria! Abraço e beijo da Thaís Fernandes dos Santos.
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Selo +1
Alessandra, difícil não se emocionar com seu relato, torço para uma excelente recuperação!! 😘😘
Uma guerreira e vc certamente vencerá com Cristo. Me emocionei ao ver seu depoimento, estamos na torcida por vc e que vc continue seguindo a luta com essa força e perseverança, bjos e fica com Deus
Que relato maravilhoso! Que Deus abencoe vc e sua família cada dia mais! 🙏🏻
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Selo +2
Alessandra,

Que história de força e superação, obrigada por compartilhar! E fica de alerta para todas nós, os exames de prevenção começam a partir dos 40 anos e você identificou a doença antes dessa idade.

Mas com certeza você já venceu!

Beijos e boa sorte! :)

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