Meu mundo azul e as descobertas do universo autista


Desde muito nova eu desejava ser mãe de meninos e Deus foi tão bom pra mim que realizou esse sonho, me enviando 3 lindos meninos. Miguel, meu anjo amado que mora no céu, Davi Miguel meu bebê arco íris (tem epilepsia) e o Leonardo (TEA).

Davi sempre foi um bebê risonho, interagia com todos, falante e muito agitado. Dormia mal, em compensação é amoroso, gosta de ser abraçado, de abraçar e é muito carinhoso.

Já o Leonardo era um bebê mais sério, não interagia com os outros, não fazia muito contato visual, demorou mais para sentar, balbuciar palavras. Com 1 ano e meio ficou mais notável essa diferença para mim e para todos em volta, continuava não interagindo, falava apenas auau, não, papa e mama, ficou mais seletivo para texturas e cores de alimentos, estereotipias cada vez mais evidentes.

Parecia que ele vivia em um mundo só dele. Até que um dia pedi conselhos para uma amiga virtual, ela tem 2 filhos TEA e marquei consulta com a neuropediatra do Davi, ela é especialista em TEA. Não precisei nem falar sobre minha desconfiança, ela em 30 minutos de observação já me disse o que eu já sabia: Leo tem TEA. Saí do consultório sem nenhuma surpresa, a gente no fundo sabe quando algo tá estranho, né?

Ele estava com 1 ano e 10 meses, fui atrás da APAE da cidade e em fevereiro ele passou pela triagem com os especialistas, que confirmaram TEA. Aí começa a minha luta para aprender, entender e conhecer mais sobre TEA, porque eu era leiga (aliás, ainda sou).

Familiares e amigos assim como eu, também são. A gente sempre achou que todo autista tem cara de autista, ignorância né? Aprendi que não, cada um é diferente do outro, não existe 2 autistas iguais. Não é porque fulano faz isso que Leo também irá fazer. Cada um tem suas particularidades.

Em 4 meses de tratamento, Leo nem parece mais o mesmo que passou pela triagem. Sua evolução é notável e muitas pessoas que não o conhecem acham até que ele é uma criança típica. Ele ainda tem dificuldade para interagir, muitas estereotipias, seletividade alimentar, às vezes tem crises . É muito inteligente, já sabe e reconhece letras e números, cores, Inglês e português e tudo isso assistindo a vídeos. Eu procuro não pensar muito no futuro, nem me cobrar muito e muito menos cobrar ele. Apenas vivo a cada dia, cada evolução, para descobrir com ele a forma certa de entender suas necessidades.

Tenho um longo caminho e muito que aprender. Muitas cosias ainda são novas pra mim, a única certeza que tenho é que o AMOR vence qualquer barreira e dificuldade. E que juntos vamos enfrentar e passar por tudo que tiver que passarmos para o bem dele. As dificuldades a gente vai enfrentando e pedindo a Deus mais força para não cair, porque não é fácil mesmo.

Apesar de ser autista grau leve, tem dias que parece que não vou dar conta e que sou péssima mãe. Temos que falar mais sobre TEA.

Mães, quando notarem algo diferente em seu filho, procure ajuda quanto antes. Diagnóstico melhora a evolução. Intervenção precoce faz muita diferença para a qualidade de vida do seu filho. Existe muito preconceito até de nós mesmas e até medo. Mas devemos aprender a enfrentar e chutar esses sentimentos quando se trata dos nossos filhos.

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